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butiá

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Litros de cachaça de butiá / E já não tenho medo de falar / Que joguei todas minhas fichas em você /

Acelero o meu carro por aí / Boto a cara na janela pra grunhir / Que fui abandonado por você /

 

Não tenho medo de dizer que um dia fui feliz / E que você jurou que sempre ia ser assim / Não tenho medo de dizer que já fui feliz e que agora / Eu estou à beira de cometer uma loucura /

 

Às vezes até penso em trabalhar / Penso, mas não saio do lugar / Olhando as fotos que ainda tenho de você.

Passo o dia em frente da tv / Me aplasto na poltrona sem querer / Sem vontade, sem

razão e sem você.

 

Não tenho medo de dizer que já fui feliz / E que você jurou que sempre ia ser assim / Não tenho medo de dizer que já fui feliz e que agora / Eu estou a beira de cometer uma loucura.

 

Fizeram uma intervenção pra mim / A família e os amigos a pedir / Que eu te esqueça e deixe de seguir você.

Me deram umas bolinhas pra dormir / E outras pra forçar eu ser feliz / E lograr levar minha vida sem você.

 

Não tenho medo de dizer que já fui feliz / E que você jurou que sempre ia ser assim / Não tenho medo de dizer que já fui feliz e que agora / Eu estou a beira de me safar dessa tortura.

sexto sentido

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Vejo poesia morta / Vejo poemas mortos andando por aí / Eles me olham / parece que vão me pedir

 

Algum conselho / Alguma rima pra rimar / Alguma estrofe, ou assonância / Algum palhaço para recitar

 

Já tive medo desses poemas / eles parecem não saber / Que já se foram, que não mais serão / E que poderiam me fazer mal

 

Vejo neles a palavra apodrecendo / O silêncio lhes comendo as carnes /

Eles me olham como se quisessem me dizer / E não percebem que nem falar não podem mais

vitrô

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Tens é que começar a comer vitrô / É, vidros coloridos / Pode até alguns transparentes / Mas acompanhadas de pelo menos um azul um vermelho

 

E o que tu vais sentir? / Um corte colorido, por

supuesto / E de que vai te servir? / Que saco! Tudo tenho que te explicar

 

Olha só, são vidros coloridos / Que vão te encher a barriga / E se um dia conseguires engolir o sol / Eles vão formar uma linda sombra pras tuas lombrigas

Sombras coloridas.

Sorriso branco

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Fui ver a lua, fui ver estrelas / Me olhei no espelho depois de vê-las / Sorriso amarelo, zoínho azul / Bochecha branca não uso ruge

 

 Tenho minha risada

 

Fui ver passista, fui ver neguinha / Carro alegórico e a bateria / E eu de rainha, sambando no chão / Vou requebrando pra televisão

 

Pois tenho minha risada

 

Comprei mil plumas e fiz cocar / Pintei meu rosto de guerrear / E cantei o meu samba na multidão / Fazendo pose para o instagram /

a estação vazia

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Olhando o que antes fora a linha do trem

Me pergunto se alguém um dia também

Esperou ao sol e vento por quem não vinha

frouxidão

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Hoje era pra ser o dia de todos se encontrarem, eu me recuso acreditar que talvez esse dia nunca chegue. Minha vontade é encarar bem sério o espelho e sair de casa e fazer tudo acontecer, eu poderia renovar meu guarda-roupa e encontrar as pessoas que eu preciso nesse exato momento, mas eu sou a frouxidão em pessoa porque tenho um espelho e tenho cartão de crédito bom. Sou a frouxidão em pessoa porque eu tenho o endereço dos amigos que eu preciso nesse momento, mas estou sentado com a mão na barriga olhando o teto e pensando.

semelhança

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Eu me pareço comigo / Mesma altura, mesmo rosto mesmo umbigo / Nem mais chato nem mais livre / Mesmo medo, mesmo sonho, mesmo timbre

Ninguém se parece comigo / Nem o rosto nem o jeito nem ouvido / Tem mais chato tem mais livre / Outros medos outros sonhos outros timbres

 

Tu não te pareces comigo / Com essa cara de poucos amigos / Tão mais chato e menos livre / Que nem sonha, só tem medo e não vive

Ela não parece comigo / Nem o rosto nem o jeito nem umbigo / Nada chata e

bem mais livre / Não tem medo faz o sonho e sempre vive

 

Eu não pareço comigo / Merda nenhuma que eu faço tem sentido

Muito chato e pouco livre / Nada parecido com os sonhos que tive.

O samba inverso

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Eu to morrendo e cada vez mais morto / Esvaziando meu corpo duro / Atravessando estas paredes sólidas / E já gostando de deixar o mundo

 

E ta doendo cada vez mais forte / Esse desgosto de sorrisos

dúbios / Que vão mentindo me tirando o norte / E vou perdendo meu sorriso puro

 

Eu to andando cada vez mais torto / Me debatendo com a força bruta / Dialogando com quem quer monólogo / Vociferando com quem não escuta

 

Mas eu to lutando pra viver

 

Eu to andando cada vez mais certo / Distribuindo minha alegria / Trabalhando e sendo honesto / Fim de semana vou pra folia

 

Eu to trabalhando para viver

 

Eu to bonito e cada vez mais lindo / Sorrindo tanto que mostro o siso /

Distribuindo minha alegria e mágica / Oferecendo meu ombro amigo

Eu to sorrindo pra viver

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